segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

CHILDREN OF THE EARTH.
















In response to Paul Gauguin...
We leave the meanings aside,
We are still land.
We suffer the action of the wind, of the intemperance;
From the bruising of animals,
From floods, earthquakes ...
And our face is still beardless.
And this desire to open our secrets,
Franking our mines ...
What is this chaos that haunts us?
What is this itch in our guts?
What is this fire cough?
Sometimes, that rattle like a birthing.
For others, this rest in our own grave.
When we rise as men and women,
Maybe human beings ...
Will we begin our true journey?




Poetry - Susana Luiz.
Translation - Marcos Revérberi de Mello.
Work - Where do we come from/ What are we/ Where are we going -
Paul Gauguin.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A poetisa comunista que dedicou a vida a transformar em poesia a luta das mulheres por um mundo mais justo. Comunista engajada, foi ativa na militância politica e campanhas pacifistas, chegou a ser candidata a deputada pelo Partido Comunista do Brasil em 1950, no Rio Grande do Sul, onde nasceu e militou, mas não foi eleita.



Canção da chuva.


Cai uma chuva tão fina
que quase não molha a gente
é uma música em surdina
que apenas a alma sente.

Junto meu rosto a vidraça
e olho a rua sem pensar.
Fico em estado de graça,
como quem vai comungar.

Senhora dos mundos vivos
Nossa senhora da vida,
quantos dias negativos
na minha estrada perdida!

Senhora tu não devias
permitir tantos enganos
Há excessos de alegrias,
e excessos de desenganos.

Por onde andaram meus passos
vi sinais de desalentos
Vaguei por muitos espaços,
e senti todos os ventos.

Ventos do sul, vento norte
ventos do leste e do oeste
tão diversos como a sorte
que tu, na vida, nos deste..

Senhora dos mundos vivos,
Nossa senhora da vida —
quantos dias negativos
na minha estrada perdida!








Lila Ripoll.
Publicado no livro Céu Vazio: poesia de (1941).

domingo, 1 de maio de 2016

Meu maio




Meu maio
A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês – Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!


Vladimir Maiakovski
Operários - Tarsila do Amaral

quinta-feira, 24 de março de 2016

Sem título




Nem tudo que eu falo é santo,
Nem tudo que eu choro é pranto,
Mas quando estou muda, revelo tudo,
entretanto.



Susana Luiz


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O encanto das pétalas ocultas





Ali, imóvel e estendida.
A borboleta pousada em botão de flor.

Estaria morta a borboleta?
Seria perfeita a flor?

Tique - Taque, Tique - Taque,

Minha expectativa atendida
Voou a borboleta airosa!

E a flor, em seu esplendor
Eis-me, embevecida.

Emulando graça e cor, 

De níveas tonalidades, 
 Agora, rubra tangida.

Tal foi o encanto! 
Ao ver seu desabrochar...
 

Eis, que surge em seu regresso
De um intenso fervor excelso
 Saudoso sol a mirar:

Acordaste, bela rosa?
Dos verdes anos, tolhida.

Da terra, mãe caridosa,
És tu, oh mimosa!

A primaveril essência da vida.




Susana Luiz