terça-feira, 14 de outubro de 2014

Juízo final.




























O pássaro idiota pula para fora e se inclina bêbado
No topo do relógio universal quebrado:
A hora é cantada em treze lunáticos.

Nossos palcos pintados caem independentes das cenas
Enquanto todos os atores param em um choque mortal:
O pássaro idiota pula e se inclina bêbado.
(O pássaro idiota pula e embriagado inclina-se)

Ruas se partem através de ravinas abismais de estragos
Assim a cidade compungida desmorona bloco a bloco:
A hora é cantada em treze lunáticos.

Vidro fraturado voa para baixo em pedacinhos;
Nossas relíquias felizes foram colocadas no penhor:
O pássaro idiota pula e se inclina bêbado.

A chave inglesa desmontou todas as máquinas;
Nunca pensei (sequer) ouvir o galo santo:
A hora é cantada em treze lunáticos.

Muito tarde para perguntar se o fim justificou os meios,
Tarde demais para calcular a extensão dos danos:
O pássaro idiota pula e embriagado se inclina,
A hora é cantada em treze lunáticos.



"Doomsday"

The idiot bird leaps out and drunken leans
Atop the broken universal clock:
The hour is crowed in lunatic thirteens.
Out painted stages fall apart by scenes
While all the actors halt in mortal shock:
The idiot bird leaps out and drunken leans.

Streets crack through in havoc-split ravines
As the doomstruck city crumbles block by block:
The hour is crowed in lunatic thirteens.

Fractured glass flies down in smithereens;
Our lucky relics have been put in hock:
The idiot bird leaps out and drunken leans.

The monkey's wrench has blasted all machines;
We never thought to hear the holy cock:
The hour is crowed in lunatic thirteens.

Too late to ask if end was worth the means,
Too late to calculate the toppling stock:
The idiot bird leaps out and drunken leans,
The hour is crowed in lunatic thirteens.





Sylvia Plath
Tradução (Inédita): Susana Luiz