quinta-feira, 14 de junho de 2012

Direitas já !!!





Biografia Ayn Rand nasceu em São Petersburgo, Rússia, em 2 de fevereiro de 1905. Aos seis anos aprendeu a ler sozinha e aos nove já estava decidida a fazer da literatura e da ficção a sua carreira. Totalmente oposta ao misticismo e ao coletivismo da cultura russa, ela se via como uma escritora européia, especialmente após encontrar com Victor Hugo, o escritor que ela mais admirava. Metafísica - Realidade Objetiva Epistemologia – Razão Ética

– Interesse pessoal Política – Capitalismo Traduzindo para uma linguagem simplificada: 
1. “A natureza, para ser comandada, precisa ser obedecida” ou “só querer algo não faz com que aconteça.” 2. “Você não pode comer o bolo e ter ele ao mesmo tempo.” 3. “O homem é um fim em si mesmo.” 4. “Liberdade ou morte.”

Mantendo estes conceitos com total consistência, como base das suas convicções, tem-se um sistema filosófico completo para guiar o curso da sua vida. Mas para mantê-los com total consistência – entender, definir, provar e aplicar – é necessário um volume de pensamento.

 Sua filosofia, o objetivismo, considera que: A realidade existe como um absoluto objetivo—fatos são fatos, independente dos sentimentos, desejos, esperanças ou medos do homem. Razão — a faculdade que identifica e integra o material provido pelos sentidos do homem — é o único meio do qual o homem dispõe para perceber a realidade, sua única fonte de sabedoria, seu único guia para a ação e seu meio básico de sobrevivência. O homem — todo homem — é um fim em si mesmo, não um meio para um fim alheio. Deve existir por si, não para sacrificar-se aos outros nem para sacrificar aos outros por si. A busca de seu próprios interesses racionais e da sua própria felicidade é o maior propósito moral de sua vida.

O sistema político-econômico ideal é o capitalismo liberal (laissez-faire). É um sistema onde os homens lidam uns com os outros, não como vítimas e executores, não como mestres e escravos, mas como negociantes, através de livres e voluntárias trocas para benefício mútuo. É um sistema onde nenhum homem pode obter qualquer valor dos outros apenas pela foça física, e nenhum homem pode iniciar o uso da força física contra os outros. O governo age somente como um policial que protege os direitos do homem; usa a força física apenas em retaliação e apenas contra aqueles que iniciam o seu uso, como criminosos ou invasores estrangeiros. Num sistema de capitalismo total, deve haver (ainda que historicamente nunca tenha havido) uma separação completa entre Estado e Economia, do mesmo modo e pelas mesmas razões da separação entre Estado e Igreja.


Sua filosofia e sua ficção enfatizam, sobretudo, suas noções de individualismo, egoísmo racional, e capitalismo. Seus romances preconizam o individualismo filosófico e liberalismo econômico. Ela ensinava:

  • Que o homem deve definir seus valores e decidir suas ações à luz da razão
  • Que o indivíduo tem direito de viver por amor a si próprio, sem se sacrificar pelos outros e sem esperar que os outros se sacrifiquem por ele
  • Que ninguém tem o direito de usar força física para tomar dos outros o que lhes é valioso ou de impor suas ideias sobre os outros.


"A independência de um homem é a única medida da sua virtude e do seu valor. O que um homem é, e o faz de si mesmo; não o que fez, ou deixou de fazer, pelos outros. Não há substituto para a dignidade pessoal. O único padrão de dignidade pessoal que existe é a independência. Em todos os relacionamentos dignos de respeito ninguém se sacrifica por ninguém". (Ayn Rand)



“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada” – Ayn Rand



 

"No amor a moeda é a virtude. Você ama as pessoas não pelo o que você faz por elas, ou o que elas fazem por você. Você as ama pelos valores, as virtudes que elas alcançaram em seu próprio caráter. Você não ama sem causa, você não ama a todos indiscriminadamente. Você ama apenas aqueles que merecem. (...) Se um homem deseja amor, ele deveria corrigir suas fraquezas ou suas falhas, e ele pode merecê-lo. Mas ele não pode esperar o não merecido. Nem no amor, nem no dinheiro. Nem na matéria, nem no espírito." 


(Ayn Rand defendendo o seu 'Randismo', um novo principio de moralidade, para tornar o ser humano digno de amor, mesmo não sendo esse o seu objetivo primário)


Ayn Rand e a filosofia objetivista

Metafísica e Epistemologia


A Metafísica do Objetivismo está muito calcada na idéia de realidade, operando por causas e efeitos, e atuando com a natureza.
Ínvoca o princípio Socrático: "As coisas são o que são".
Essa prática metafísica inibe qualquer contradição pois estamos tentando conhecer a realidade e o princípio fundamental da realidade é que A é A – não há contradições na realidade. Pensar logicamente é colocar os dados em um modo não-contraditório.
Dessa forma o objetivismo rejeita o ceticismo, que nega a verdade absoluta (transforma tudo em opinião), e o misticismo.
Para o objtivismo existe sim verdade absoluta.

A epistemologia no objetivismo afirma a razão e a evidência dos sentidos.
É totalmente voltado na valorização da observação sensorial (visão, audição, paladar, tato, olfato).

Ela trata como axioma a realidade e a percepção da realidade pelos sentidos. A validade dos sentidos é axiomática.


Razão e Objetivismo

A razão é o bem maior e o que define a particularidade humana. Todos valores morais que cultivamos passaram pelo jugo da razão. A razão deve ter como princípio a investigação e defesa da realidade pura.
Um dos conceitos morais que foi unido ao pensamento humano pela razão é a honestidade.
Ou seja, a rejeição de falsificar a REALIDADE de sua existência de qualquer maneira, seja para si mesmo ou para outros.

O desonesto não é racional, ou só é parcialmente.
A sua flexibilidade moral da pessoa desonesta reflete apenas sua flexibilidade racional.
A razão não esconde a verdade e é avessa a mentira, em qualquer situação.

O Objetivismo também implode dicotomias como altruísmo e egoísmo.
Os pensadores dizem que você é um altruísta se sacrificar-se pelos outros e um egoísta se sacrificar os outros por você. O Objetivismo rejeita os dois lados dessas dicotomia. Uma ética realmente egoísta não envolve sacrifícios, mas cada um vivendo em sua função e respeitando o direito dos outros de fazer o mesmo.

Podemos concluir que é uma filosofia totalmente individualista, regulada pelo sentimento moral.
Sentimento moral, fruto da razão, pois ele age em benefício da busca do bem estar do indivíduo, ou seja, beneficia você mesmo, a curto, médio ou longo prazo.

Essa é a ética.
A ética nos diz que cada homem é um fim em si mesmo e necessita da razão para sobreviver. 




Objetivismo
A revolucionária filosofia racional, egoísta e capitalista de Ayn Rand


Antes de apresentar a filosofia Objetivista, eu devo explicar o que é filosofia e por que você deve se importar com ela. Em essência, a filosofia é o estudo da relação entre o homem e a realidade. Ela é formada por cinco áreas:

Primeiro, a metafísica, que é o estudo da natureza do universo como um todo. Ela faz perguntas do tipo: O que é a realidade? Como a realidade opera? Qual é a natureza das coisas?

A segunda área é a epistemologia, que é o estudo do conhecimento, da sabedoria. Ela questiona: como você sabe que você sabe? O que qualifica como conhecimento? Que testes uma ideia tem que passar por pa

ra você poder dizer “eu sei disto”? Você pode realmente saber de coisas? É possível ter certeza?

A metafísica e a epistemologia são as partes mais básicas da filosofia. Juntas, elas dão origem à ética, que é a questão central da filosofia.

A ética, ou moralidade, providencia um código de valores para guiar as escolhas e ações do homem. Ela pergunta como o homem deve viver, qual deve ser o objetivo de sua vida, o que é certo, o que é errado. Da ética, surgem duas áreas derivativas:

A política, que estuda a natureza da sociedade e a função própria do governo.

E a estética, que é a filosofia da arte. O que constitui uma obra de arte? O que faz uma arte boa ou ruim? Como estabelecer um critério?

A filosofia, portanto, te dá a relação do homem com a natureza, como ele sabe de coisas, como ele deve viver, e, então, como devem ser dois de seus mais importantes produtos: o governo e a arte.

Agora, a primeira coisa que você pode perceber deste assunto é que impossível escapar-se dele. Você pode ignorá-lo conscientemente, mas deste modo o seu subconsciente vai absorver dados do mundo a sua volta e formar visões sobre todas as perguntas acima.

Você pode ter ideias consistentes ou contraditórias, mas filosofia não é como física ou astronomia, matérias que você pode viver a vida inteira sem conhecer e não ter problema algum.

As questões filosóficas são centrais para um homem vivendo sua vida e, portanto, de alguma forma, você tem uma visão sobre todas.

Suponha, por exemplo, que você quer ter uma carreira. Você decide ser um médico hospitalar. Isto é bom, ou isto é ruim? Seu padre ou sua mãe te dizem que isto é muito egoísta. Afinal, tudo que você quer é dinheiro. O que você deveria fazer é virar um missionário como a Madre Teresa e ir para a África. Ou você deveria trabalhar em uma ONG. Você deveria ser altruísta. Você deveria se sacrificar pelos outros.

Qualquer decisão que você tomar será baseada em alguma ideia que você tem. Você pode ter uma visão inconsistente ou você pode fazer uma coisa e se sentir culpado por não estar fazendo a outra, mas não é possível escapar-se da pergunta “quem deve se beneficiar do seu trabalho?”

Mesmo que você tente escapar momentaneamente, dizendo, por exemplo, “Quem sabe as respostas para estas perguntas? Não existem verdades absolutas. Ninguém pode ter certeza de nada!”, esta será uma visão filosófica.

E se isto é verdade, como você estabelece o que você chama de conhecimento? Ou, então, quaisquer ideias que você tenha? Você pergunta para outros? Mas como os outros sabem no que acreditar? Eles pegam de Deus? Mas Deus oferece revelações diferentes para diferentes pessoas. Você vai por lógica? Mas o que é lógica? E se alguém disser “o que é lógico para você não é lógico para mim”? Você concorda com isto?

Enfim, você precisa ter alguma ideia ou você não conseguiria sequer deixar uma ideia entrar na sua cabeça.

Suponha que você diga: “eu não sei nada disto – 10 milhões de brasileiros não podem estar errados e eu vou seguí-los”. Bem, se 10 milhões de brasileiros não podem estar errados, não existe uma realidade objetiva – o que eles disserem irá determinar a natureza da realidade. Mas será que existe uma realidade? Se existe, 10 milhões de brasileiros podem estar errados – não é verdade?

O Objetivismo diz que, de alguma forma, todos têm uma opinião sobre estas perguntas, e isto molda a vida do homem, o seu caráter e a sua história.

Agora, sabendo o que é a filosofia, podemos começar a estudar o Objetivismo. Iniciaremos com a metafísica, o estudo da realidade.

Metafísica

O Objetivismo, na metafísica, começa identificando as verdades mais básicas e irrefutáveis sobre a natureza do universo. O nome destas afirmações é axioma, e o primeiro deles é: a existência existe.

Algo existe. Este algo não é nada esotérico – é tudo que você vê, tudo que é disponível aos sentidos. Tudo nos céus até as células do seu corpo. A soma disto é a existência, ou a realidade.

A lei básica da realidade é a lei da identidade, formulada primeiro por Aristóteles. Ela diz que A é A. As coisas são o que é elas são.

Se você quebra a sua perna em um esporte, não importa o quanto triste você ficar, você terá quebrado a sua perna. Isto é um fato. Você pode conseguir consertá-la posteriormente, mas nenhuma de suas emoções ou desejos irá mudar o fato de que sua perna foi quebrada.

Isto é verdade para todo fato, humano ou não. A realidade, sendo o que ela é, é independente da consciência, ou seja, objetiva. Então, se 10 milhões de brasileiros ou qualquer número, maior ou menor, quiser que algo seja verdade, este algo não será verdade só porque eles querem que o seja. Você pode desejar, querer, crer – sozinho ou junto com o resto da humanidade – mas isto não afetará a realidade.

A realidade é independente de qualquer consciência, seja esta a de homens ou a de um suposto ser sobrenatural que controla o universo. O Objetivismo é ateu, mas também a-unicórnio, a-papai-noel. Ele é contra todas as formas do sobrenatural – só do natural.

A lei que rege o mundo natural é a lei causal. As coisas na realidade operam por causa e efeito – cada uma atuando de acordo com a sua natureza. Não existem milagres, nem “sorte”, no sentido de eventos sem causa.

Não faz sentido rezar, porque não há ninguém para rezar para, e mesmo se alguém pudesse ouvir suas preces, ele não poderia fazer nada a respeito, porque as coisas são o que são e fazem o que fazem.

Tudo, inclusive os seres humanos, são sujeitos à causa e efeito. Uma forma de causa e efeito, no entanto, é o livre-arbítrio humano – o homem tem o poder de escolha, o poder de pensar ou não, e esta é a primeira causa em toda uma cadeia subsequente de outras causas.

Agora, entendendo o que é a realidade e como ela opera, podemos nos tornar à epistemologia, o estudo do conhecimento.

Epistemologia

O Objetivismo afirma, essencialmente, que a razão, isto é, a faculdade que identifica e integra os dados dos sentidos, é o único método de conhecimento.

A razão começa com a evidência dos sentidos – visão, audição, paladar, tato, olfato, etc. Eles são o único acesso do homem à realidade, e como todo conhecimento é um conhecimento sobre a realidade, os sentidos são necessariamente a base de todo conhecimento.

Existem muitos, especialmente hoje, que dizem que os sentidos são inválidos, que eles nos dão ilusões, que não podemos diferenciar os sentidos de alucinações. O Objetivismo denuncia todas estas crenças como exemplos da chamada falácia do conceito roubado. Qualquer pessoa, ao tentar negar explicitamente a validade dos sentidos, estará implicitamente afirmando sua validade – ao dizer que os sentidos são falsos, ela está assumindo que ele existe, que você existe, que as palavras que saem de sua boca são realmente as palavras que ela ouve sair, etc – tudo isto se baseando em seus sentidos. A validade dos sentidos é axiomática – todo conhecimento depende dela e qualquer tentativa de refutá-la é uma contradição.

Com base na observação sensorial, os seres humanos têm a capacidade única de formar conceitos, ou abstrações. Os conceitos são a nossa forma de organizar os dados sensoriais. A formação de um conceito é um processo de omissão de medidas – ele é formado pegando um número de entidades similares e decidindo o que as torna similar de uma maneira importante. Um homem, por exemplo, vê várias entidades compostas de uma superfície e suportes e, mentalmente, julga que estas são características essenciais e integra estas entidades no conceito de mesa.

Para colocar conceitos juntos, é necessário usar a lógica, que é o processo de identificação não-contraditória. Em essência, ela diz que você não pode ter seu bolo e comê-lo também. Nada pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo respeito.

Pensar logicamente é colocar os dados em um modo não-contraditório. Não podemos ter contradições porque estamos tentando conhecer a realidade e o princípio fundamental da realidade é que A é A – não há contradições na realidade.

Agora, o resultado de usar a razão como seu meio de conhecimento é que você pode confiar nas conclusões que chega. Você pode, no âmbito da evidência disponível, ter certeza sobre algo.

Assim, o Objetivismo rejeita o ceticismo, que é a ideia de que não há absolutos, ninguém pode ter certeza de nada, é tudo uma questão de opinião, ou, como os céticos amam dizer, “o que é verdade para você não é verdade para mim”. O ceticismo é, evidentemente, uma contradição em termos. Ele diz que sabe, que tem conhecimento… de que não há conhecimentos.

O Objetivismo afirma o oposto: toda verdade é absoluta, mas você há de usar a razão para chegar a ela. Desta forma, ele também rejeita o misticismo, que é a doutrina que diz que há verdades, mas você só precisa que se expor passivamente para o mundo que ela vai se escrever em você. O misticismo diz que você pode dispensar com os sentidos, a lógica, a argumentação. Ele diz que você tem, de alguma forma, acesso direto ao conhecimento através da fé, revelação, intuição, telepatia, etc.

O Objetivismo diz, em contrapartida, que a verdade está na relação adequada entre a mente e a realidade, entre a consciência e a existência. Você tem que olhar para fora para obter a verdade, mas você não pode simplesmente esperar um dogma bater na sua cabeça.

Você só pode obter verdades usando o método correto, e este método é a observação, a formação de conceitos, a lógica – ou seja, a razão.

Ética

Agora que chegamos na ética, é preciso seguir as nossas bases filosóficas, isto é, a metafísica e a epistemologia. Esta última diz que conseguimos conhecimento através da razão, e isto se aplica a todo conhecimento, incluindo conhecimento sobre moralidade.

A ética, portanto, não pode ser baseada em desejos, sejam estes de um indivíduo, da sociedade ou de um suposto deus. Hoje, a ética se resume a isto: um lado diz que Deus deu revelações e o outro que a sociedade deve determinar como o homem há de viver. O Objetivismo rejeita estas duas teorias porque elas não reconhecem o absolutismo da realidade e da razão.

Para começar uma ética racional, a primeira coisa que se deve fazer é perguntar: o que na realidade dá origem à etica? Por que ela é necessária?


Para saber disto, é preciso antes entender o que é ética. A ética é um código de valores que guia as escolhas e as ações do homem. (A ética só se refere ao homem porque ele é o único animal que tem livre-arbítrio; portanto, é o único que pode tomar decisões.)

É necessário, no entanto, ir mais a fundo na definição de ética. É preciso perguntar: o que são valores? Um valor é algo que você age para ter e/ou ganhar. Valor não é um conceito primário; ele pressupõe a resposta para a pergunta: valor para quem e o para o quê? Ou seja, algo só pode ser um valor para alguém com algum objetivo.

A água, por exemplo, não é um valor intrínseco, em si mesmo. Ela é, no entanto, um valor para o homem para seu corpo conseguir controlar sua temperatura. Ter uma temperatura estável é um valor para o homem para ele permanecer vivo.

Valores só podem existir para seres vivos diante de uma escolha – onde não há decisões, não há valores ou moralidade. Para todo ser vivo, existe somente uma escolha primária: a vida ou a morte – tomar ações requeridas para promover sua vida ou ações que a destroem. É importante notar que só indivíduos são confrontados com a escolha de vida ou morte. A sua escolha é: a sua vida ou a sua morte.

A escolha da vida sobre a morte é uma decisão pré-moral. Ela não pode ser julgada como certa ou errada, mas caso um homem escolha a vida, seu objetivo final ou padrão de valor há de sê-la – a vida é o único valor que é um fim em si mesmo e sem ela, nenhum outro valor é possível.

A sua vida como o padrão de moral significa que tudo que a promove é o bom, e tudo que a destrói é o ruim. Todas as questões morais, portanto, são questões de como viver com sucesso e felicidade, e todos os princípios morais devem ser avaliados de acordo com a sua capacidade de promover a vida do homem.

A função da ética é descobrir o que é requerido pela natureza da realidade para o homem viver na Terra. A ética deve providenciar valores e virtudes (isto é, ações que resultam no ganho de valores) para guiar a vida do homem. Para fazer isto, ela precisa examinar a natureza do homem.

O ser humano não é particularmente rápido ou forte. Ele não tem dentes ou patas afiadas. Ele tem, entretanto, um específico e superior método de sobrevivência: a razão. Tudo, no mundo, que é bom, que beneficiou a vida do homem – a agricultura, o prédio, o remédio, o computador – é resultado da razão. Todos os desastres não-naturais, em contrapartida, são consequência de indivíduos que a abandonaram.

A racionalidade, sendo o reconhecimento de que a razão é o único método de conhecimento, o único julgador de valores e o único guia de ação do homem, é a virtude básica do homem. A razão permite que o homem pense a longo prazo. Ela permite que o homem adapte o ambiente a ele. Ela permite que o homem atue de acordo com a realidade e atinja seus objetivos.

Todas as outras virtudes são meios de aplicar a razão e, portanto, atingir a vida. Abaixo, estão as seis principais virtudes derivativas reconhecidas pelo Objetivismo:

Independência, a aceitação da responsabilidade e da necessidade de formar seus próprios julgamentos e viver do seu próprio trabalho.


Integridade: a lealdade aos princípios, a prática do que um acredita ser certo. Como é possível chegar a princípios certos com a razão, a prática de coisas boas irá beneficiar a sua vida.

Produtividade: a virtude de atingir valores. Embora o uso de produtividade tipicamente se refere à produção de riquezas, aqui a palavra também inclui o ganho de outros valores, como relações com amigos ou amantes.

Honestidade: a rejeição de falsificar a realidade de sua existência de qualquer maneira, seja para si mesmo ou para outros.

Justiça: a virtude de tratar pessoas de acordo com as suas ações – a aplicação da lei da identidade às pessoas. A justiça é em seu interesse pois encoraja bom comportamento na parte de outros e evita que você tenha que lidar com pessoas más ou perigosas.

Orgulho: o respeito a si mesmo. Sem ele, você não teria razão para confiar em sua habilidade para viver. Você não teria razão para aceitar que vale a pena viver.

Vivendo de acordo com a racionalidade e estas outras virtudes, o homem é capaz de atingir uma vida próspera e feliz, que é o seu propósito moral.

O nome da teoria ética Objetivista exposta acima é egoísmo racional.

Hoje, infelizmente, os pensadores dizem que você é um altruísta se sacrificar-se pelos outros e um egoísta se sacrificar os outros por você. O Objetivismo rejeita os dois lados dessas dicotomia. Uma ética realmente egoísta não envolve sacrifícios, mas cada um vivendo em sua função e respeitando o direito dos outros de fazer o mesmo.

Existe outra dicotomia que hoje é entendida como evidente mas é negada pelo Objetivismo: a divisão entre o moral e o prático. “Devo ser prático ou devo ser ético?”, muitos se questionam. “Como fazer para ser prático e ético ao mesmo tempo?”

Estas perguntas, é claro, só surgem porque o altruísmo, a teoria ética predominante de nossa sociedade, define o sacrifício como o ideal e o moral. Na verdade, estas perguntas são contraditórias, porque como, propriamente, a vida do homem é o seu padrão de moral, o ético há de ser o prático – afinal, ele é o que promove a vida!

Política

A política é a principal aplicação social da ética. Ela estuda a organização da sociedade e a relação do indivíduo com o governo.

Na política, assim como em todos os outras áreas, é preciso partir do zero. Devemos perguntar por que o homem necessita de um governo e o que ele deve fazer.

A ética nos diz que cada homem é um fim em si mesmo e necessita da razão para sobreviver. A sobrevivência através da razão requer a liberdae de cada indivíduo de atuar de acordo com o seu julgamento. Só há, basicamente, uma maneira de violar esta liberdade: com a iniciação da força, isto é, com um homem iniciando agressão física (como assassinato, roubo, ameaças ou fraude) contra outro.

Para que o homem possa viver e prosperar, a iniciação da força deve ser banida da sociedade; para isto, os direitos de cada indivíduo devem ser reconhecidos e protegidos.

Um direito é um princípio moral definindo e sancionando a liberdade de ação do homem em um contexto social. O direito fundamental é o direito à vida – todos os outros são corolários deste. A vida é o processo de ação sustentada e gerada pelo próprio ser; o direito à vida quer dizer o direito de cada homem de tomar as ações e usar o seu corpo para sustentar a sua vida.

O primeiro direito derivado de o direito à vida é o direito à liberdade, de estar livre dos outros para poder pensar e atuar. O outro é o direito à propriedade, que não é o direito a uma específica propriedade física, mas o de poder ter e usar a propriedade que você adquire com o seu esforço. Ele não é o direito a uma casa ou a um carro, mas o de poder viver na casa que comprou e de poder vender o carro que fabricou.

Estes direitos são inalienáveis – todo homem os tem e nenhum homem ou grupo de homens, sejam estes dez pessoas ou 51% da população de um país, pode violá-los.

O sistema sócio-econômico ideal é aquele que reconhece e protege os direitos do indivíduo, e o nome deste sistema é capitalismo. Capitalismo não quer dizer a economia mista que temos hoje, que é basicamente uma mistura de liberdades e controles, de capitalismo e socialismo. O capitalismo que o Objetivismo advoga é o capitalismo puro, laissez-faire – a completa separação entre governo e economia.

Em uma sociedade capitalista, o governo tem três órgãos: o exército, para proteger o país de agressores estrangeiros; a polícia, para defender os indivíduos de bandidos domésticos; e o sistema judiciário, para julgar criminosos e resolver disputas entre cidadãos.

Nesta sociedade, não haveria regulamentos sobre a produção ou restrições sobre o comércio. Toda propriedade seria privada – realmente privada. Isto implica que não haveria impostos – todas as contribuições para o governo (que não gastaria um décimo do que ele gasta hoje) seriam voluntárias. A proibição do aborto, do jogo, das drogas seriam abolidas, assim como qualquer limitação sobre a liberdade de expressão.

O pouco de capitalismo que tivemos nos últimos 200 anos resultou no maior boom de desenvolvimento e melhoria de qualidade de vida já visto na história. A evidência é inquestionável – é só comparar a Coréia do Sul com a do Norte, os Estados Unidos com a União Soviética ou a Alemanha Ocidental com a Oriental. O fato é que o grau de liberdade econômica de um país está diretamente relacionado ao seu grau de prosperidade.

Mesmo assim, aqueles que dizem querer ajudar os pobres são os que mais criticam o capitalismo. Como Ayn Rand brilhantemente disse, o bem-estar do homem não é objetivo deles.

Citando Rand: “A justificativa moral do capitalismo não reside na alegação altruísta de que ele representa a melhor maneira de promover ‘o bem comum’. É verdade que o capitalismo o faz, mas isto é apenas uma consequência secundária. A justificativa moral do capitalismo reside no fato de que ele é o único sistema em consonância com a natureza racional do homem, que ele protege a sobrevivência do homem enquanto homem, e que seu princípio dominante é a justiça.”

Estética

Agora, vamos nos tornar a outro importante produto do homem: a arte. A arte é uma recriação seletiva da realidade de acordo com os julgamentos metafísicos e éticos do artista. Ela expressa o senso de vida do artista, isto é, suas convicções mais profundas sobre o mundo e o homem.

Muitos dizem, hoje, que a função da arte é a apreciação do belo, sem especificarem o que é o belo e por que você deve apreciá-lo. Outros nem chegam a este ponto: proclamam que a arte não tem função alguma. Alguns deles vão mais longe: dizem que a própria definição da arte é aquilo que, para o homem, não tem propósito.

O Objetivismo, em contrapartida, afirma que o homem necessita da arte porque ela passa as ideias mais abstratas do homem para o concreto, o físico.

Um conceito simples, baseado na percepção, como o de mesa ou o de computador, não precisa ser concretizado pela arte. É possível apontar para uma mesa e dizer: é disso que estou falando. O mesmo não é verdade para abstrações mais complexas, como o amor ou a coragem. Estes conceitos não têm o imediatismo daqueles baseados diretamente na percepção.

A arte é o instrumento que torna possível a observação de abstrações complexas. Ela deixa o homem examinar uma ideia como algo concreto e, então, melhor entender o que o conceito significa na prática.

Uma boa arte deve mostrar como o mundo pode ser e deve ser. Como o mundo pode ser porque as coisas são o que elas são e não faz sentido ficar pensando em uma fantasia como um mundo mágico ou um que tenha vampiros. Como o mundo deve ser porque a arte, sendo a ferramenta que permite a concretização de abstrações, pode deste modo servir de inspiração e combustível para o homem viver e atingir objetivos.

Na pintura, isto quer dizer a exposição da beleza e do potencial do homem, ao contrário da mistura randômica de cores e traços que os modernistas de hoje chamam de arte. 

Na música, ritmo e melodia. Na literatura, histórias com heróis movidos por valores e um enredo composto de eventos lógicos, como os romances de Victor Hugo ou da própria Ayn Rand.



Obras: Romances: We the Living (1936) The Fountainhead (1943, traduzido para o português como ‘A Nascente’) Atlas Shrugged (1957, traduzido para o português como ‘A Revolta de Atlas’) Outras obras de ficção: Night of January 16th (1934) Anthem (1938) Não-ficção: For the New Intellectual (1961) The Virtue of Selfishness (1964) Capitalism: The Unknown Ideal (1966) The Romantic Manifesto (1969) The New Left: The Anti-Industrial Revolution (1971) Introduction to Objectivist Epistemology (1979) Philosophy: Who Needs It (1982)




2 comentários:

  1. Gostei imenso do artigo aqui exposto, de uma grande profundidade de pensamento, sensibilidade e lucidez, que para os tempos que difíceis que correm, torna-se deveras pertinente.

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