domingo, 1 de maio de 2016

Meu maio




Meu maio
A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês – Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!


Vladimir Maiakovski
Operários - Tarsila do Amaral

quinta-feira, 24 de março de 2016

Sem título




Nem tudo que eu falo é santo,
Nem tudo que eu choro é pranto,
Mas quando estou muda, revelo tudo,
entretanto.



 Rosa Flores Khal


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O encanto das pétalas ocultas





Ali, imóvel e estendida.
A borboleta pousada em botão de flor.

Estaria morta a borboleta?
Seria perfeita a flor?

Tique - Taque, Tique - Taque,

Minha expectativa atendida
Voou a borboleta airosa!

E a flor, em seu esplendor
Eis-me, embevecida.

Emulando graça e cor, 

De níveas tonalidades, 
 Agora, rubra tangida.

Tal foi o encanto! 
Ao ver seu desabrochar...
 

Eis, que surge em seu regresso
De um intenso fervor excelso
 Saudoso sol a mirar:

Acordaste, bela rosa?
Dos verdes anos, tolhida.

Da terra, mãe caridosa,
És tu, oh mimosa!

A primaveril essência da vida.




Susana Luiz


domingo, 8 de novembro de 2015

A roda




A roda trilhou um caminho
E tudo passou a rodar
A vida, o tempo, o moinho
Deixai a roda rodar.

Alguém viu a roda?

A roda bateu
A roda sumiu
A roda girou
Voltou á roda a rodar

A roda revolta
Que roda imprudente
Girando tão solta
De traz para frente

A roda preguiça
Que roda em desleixo
Girando em seu eixo
Sem nada enxergar

Mas apesar dos pesares
A roda me transportou
Me fez flutuar pelos ares
E hoje fumaça eu sou.

Deixai a roda rodar
A roda brincando de roda
A roda girando no ar...
Alguém viu a roda?


Susana Luiz



"Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser.
Tortuoso é o caminho da eternidade". 
Friedrich Nietzsche.


domingo, 20 de setembro de 2015

Luz de pirilampos






















 

Luz dos olhos meus
Dos olhos teus
Dos olhos das crianças
E dos olhos dos poetas.

Uma luz que me acompanha em sonhos
Luz de mistérios, e de magia
De pirilampos piscando risonhos
Refulgindo ao luar poesia.

Tal qual cristais de brilhantes 
No garimpo dos rios a brilhar
Que o "poeta", busca incessante
Sob a luz do sentido, o pensar.

Lembra-me o colorido das ágatas
A vida singela dos campos
Por onde cintilam nas matas
Em fachos de luz, pirilampos.

A mina de onde vens?
Ah! Não se esgota,
E de onde brotas
Vem a eternidade.

O perene, 

Na magnitude da existência, 
A verdade.



Susana Luiz


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Imponderável






Quando voo, estou no alto
Deslocada um pouco deste fundo
Quando estou solta, no espaço
Penso tão leve...
Que as vezes me confundo.

Sou daqui ou alma de outro mundo?





Susana Luiz






"A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe"
Mario Quintana

terça-feira, 26 de maio de 2015

Conto maior de terror a La Stephen King.




Aqueles que tem consciência da morte
Ao invés de consciência de vida
Quem lhes deu tal sorte?
Quem lhes deu guarida?

A morte pode ser um estorvo
Mas não a rainha desse império
Que se fosse estaríamos todos mortos
E se inertes o que esperar de tudo?
O triunfar dos abismos, dos suicídios e genocídios?

Que depois dela persista sempre, um fio condutor
Que transmita o calor da fonte, o estabelecido,
Para nós, a verdade última
Talvez adivinhada.

Que depois de tudo se recuperem os organismos
E num ciclo
Volte a instrução redesenhada
Sempre com o cunho da vida gritante
Neles ostentada.



Susana Luiz 


                                                                      
Imagem - Santiago Caruso