sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Torvelinho de emoções.



Quando vens, arrastas contigo outonos e primaveras.
Quando tardas, vagarosas são as horas.
Quando só, já no peito, a solidão me exaspera.
Quando juntos, tu és amor. 
Eu, a saudade que se revigora! 






Susana Luiz

terça-feira, 11 de outubro de 2016


Uma canção de paz e harmonia.


Quando as disputas caírem por terra,
o ódio, a soberba, as guerras.
Não seremos mais diferenciados.

Pois juntos, nós seremos como pássaros!

Pássaros iguais de voar em bandos.
Pássaros de puro céu!
Não mais, pássaros urbanos.

Quando nos libertarmos da injustiça,
da tirania e da cobiça.
Enfim, voaremos sem medo.

E seguiremos unidos pelos laços da benevolência.
Lua após lua.
Ano após ano...
Atuando sem as armas da violência.

E num belo dia, 
surpreenderemos o mundo!

Amando mais do que simplesmente ser amado.
Doando mais do que simplesmente ser agraciado.
Alentando mais, para o que deve ser fomentado.

E a esperança renascerá ao amanhecer,
brilhando como o gaio sol renascido!
E não haverá mais ânsia de vencedores.
Nem mais agonia de vencidos!

Quando as disputas cessarem na terra...
Surpreenderemos o mundo!

E o amor será a razão da vida,
e a vida, o único sonho.
Ideal pelo qual lutar e viver.

Pois juntos, nós seremos como pássaros!
Pássaros iguais de voar em bandos.
Pássaros de puro céu!
Não mais, pássaros urbanos.




Susana Luiz.



























sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A poetisa comunista que dedicou a vida a transformar em poesia a luta das mulheres por um mundo mais justo. Comunista engajada, foi ativa na militância politica e campanhas pacifistas, chegou a ser candidata a deputada pelo Partido Comunista do Brasil em 1950, no Rio Grande do Sul, onde nasceu e militou, mas não foi eleita.



Canção da chuva.


Cai uma chuva tão fina
que quase não molha a gente
é uma música em surdina
que apenas a alma sente.

Junto meu rosto a vidraça
e olho a rua sem pensar.
Fico em estado de graça,
como quem vai comungar.

Senhora dos mundos vivos
Nossa senhora da vida,
quantos dias negativos
na minha estrada perdida!

Senhora tu não devias
permitir tantos enganos
Há excessos de alegrias,
e excessos de desenganos.

Por onde andaram meus passos
vi sinais de desalentos
Vaguei por muitos espaços,
e senti todos os ventos.

Ventos do sul, vento norte
ventos do leste e do oeste
tão diversos como a sorte
que tu, na vida, nos deste..

Senhora dos mundos vivos,
Nossa senhora da vida —
quantos dias negativos
na minha estrada perdida!








Lila Ripoll.
Publicado no livro Céu Vazio: poesia de (1941).

domingo, 1 de maio de 2016

Meu maio




Meu maio
A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês – Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!


Vladimir Maiakovski
Operários - Tarsila do Amaral

quinta-feira, 24 de março de 2016

Sem título




Nem tudo que eu falo é santo,
Nem tudo que eu choro é pranto,
Mas quando estou muda, revelo tudo,
entretanto.



Susana Luiz


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O encanto das pétalas ocultas





Ali, imóvel e estendida.
A borboleta pousada em botão de flor.

Estaria morta a borboleta?
Seria perfeita a flor?

Tique - Taque, Tique - Taque,

Minha expectativa atendida
Voou a borboleta airosa!

E a flor, em seu esplendor
Eis-me, embevecida.

Emulando graça e cor, 

De níveas tonalidades, 
 Agora, rubra tangida.

Tal foi o encanto! 
Ao ver seu desabrochar...
 

Eis, que surge em seu regresso
De um intenso fervor excelso
 Saudoso sol a mirar:

Acordaste, bela rosa?
Dos verdes anos, tolhida.

Da terra, mãe caridosa,
És tu, oh mimosa!

A primaveril essência da vida.




Susana Luiz


domingo, 8 de novembro de 2015

A roda




A roda trilhou um caminho
E tudo passou a rodar
A vida, o tempo, o moinho
Deixai a roda rodar.

Alguém viu a roda?

A roda bateu
A roda sumiu
A roda girou
Voltou á roda a rodar

A roda revolta
Que roda imprudente
Girando tão solta
De traz para frente

A roda preguiça
Que roda em desleixo
Girando em seu eixo
Sem nada enxergar

Mas apesar dos pesares
A roda me transportou
Me fez flutuar pelos ares
E hoje fumaça eu sou.

Deixai a roda rodar
A roda brincando de roda
A roda girando no ar...
Alguém viu a roda?


Susana Luiz



"Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser.
Tortuoso é o caminho da eternidade". 
Friedrich Nietzsche.